SANTA MÔNICA

 

Memória

 

Nasceu em Tagaste (África) no ano 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem foi dada em matrimônio a um Homem chamado Patrício. Teve vários filhos, entre os quais Agostinho, por cuja conversão derramou muitas lágrimas e orou insistentemente a Deus. Exemplo de mãe verdadeiramente santa, alimentou a sua fé com uma vida de intensa oração e enriqueceu-a com suas virtudes. Morreu em Óstia no ano 387.

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Invitatório
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Ofício das Leituras


introdução
ouvir:

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R.
Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

Esta louvável mulher,

por suas obras honrada,

já com os anjos triunfa

pelas virtudes ornada.

 

A Deus orava com lágrimas

e com fiel coração,

entre jejuns e vigílias,

fiel à santa oração.

 

Do mundo a glória pisou,

firmando a mente no bem.

E, na perfeita justiça,

dos céus subiu mais além.

 

Em sua casa ela fez

brilhar as santas ações.

Seu prêmio agora recebe

de Deus nas altas mansões.

 

Honra, poder, majestade

ao Uno e Trino Senhor.

Ouvindo as preces da santa,

nos una aos santos no Amor.

Salmodia

 

Ant. 1 Palavras sábias proferiram os seus lábios,
e sua língua obedeceu à lei do amor.

Salmo 18 (19)A
ouvir:

2 Os céus proclamam a glória do Senhor, *
e o firmamento, a obra de suas mãos;
3 o dia ao dia transmite esta mensagem, *
a noite à noite publica esta notícia.

4 Não são discursos nem frases ou palavras, *
nem são vozes que possam ser ouvidas;
5 seu som ressoa e se espalha em toda a terra, *
chega aos confins do universo a sua voz. 

6 Armou no alto uma tenda para o sol; *
ele desponta no céu e se levanta
– como um esposo do quarto nupcial, *
como um herói exultante em seu caminho.

7 De um extremo do céu põe-se a correr *
e vai traçando o seu rastro luminoso,
– até que possa chegar ao outro extremo, *
e nada pode fugir ao seu calor.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Palavras sábias proferiram os seus lábios,
e sua língua obedeceu à lei do amor.

Ant. 2 As santas mulheres em Deus confiaram
e a ele cantaram em seu coração.

Salmo 44(45)

I

=2 Transborda um poema do meu coração; †
vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; *
minha língua é qual pena de um ágil escriba.

=3 Sois tão belo, o mais belo entre os filhos dos homens! †
Vossos lábios espalham a graça, o encanto, *
porque Deus, para sempre, vos deu sua bênção.

4 Levai vossa espada de glória no flanco, *
herói valoroso, no vosso esplendor;
5 saí para a luta no carro de guerra *
em defesa da fé, da justiça e verdade!

= Vossa mão vos ensine valentes proezas, †
6 vossas flechas agudas abatam os povos *
e firam no seu coração o inimigo!

=7 Vosso trono, ó Deus, é eterno, é sem fim; †
vosso cetro real é sinal de justiça: *
8 Vós amais a justiça e odiais a maldade.

= É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, †
deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. *
9 Vossas vestes exalam preciosos perfumes.

– De ebúrneos palácios os sons vos deleitam. *
10 As filhas de reis vêm ao vosso encontro,
– e à vossa direita se encontra a rainha *
com veste esplendente de ouro de Ofir.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 

Ant. As santas mulheres em Deus confiaram
e a ele cantaram em seu coração.


Ant. 3 Na celeste mansão, do Senhor se aproximam
entre cantos de festa e com grande alegria.

II
ouvir:

11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: *
'Esquecei vosso povo e a casa paterna!
12 Que o Rei se encante com vossa beleza! *
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

13 O povo de Tiro vos traz seus presentes, *
os grandes do povo vos pedem favores.
14 Majestosa, a princesa real vem chegando, *
vestida de ricos brocados de ouro.

15 Em vestes vistosas ao Rei se dirige, *
e as virgens amigas lhe formam cortejo;
16 entre cantos de festa e com grande alegria, *
ingressam, então, no palácio real'.

17 Deixareis vossos pais, mas tereis muitos filhos; *
fareis deles os reis soberanos da terra.
18 Cantarei vosso nome de idade em idade, *
para sempre haverão de louvar-vos os povos!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 

Ant. Na celeste mansão, do Senhor se aproximam
entre cantos de festa e com grande alegria.

 

V. Que vos agrade o cantar dos meus lábios.

R. Que ele chegue até vós, meu Rochedo e meu Redentor!

 

Primeira leitura

Do Livro dos Provérbios                 31,10-31

 

A mulher que teme a Deus

10 Uma mulher forte, quem a encontrará?

Ela vale muito mais do que as jóias.

11Seu marido confia nela plenamente,

e não terá falta de recursos.

12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto,

todos os dias de sua vida.

13Procura lã e linho,

e com habilidade trabalham as suas mãos.

14É semelhante ao navio do mercador

que importa de longe a provisão.

15Ela se levanta, ainda de noite,

para alimentar a família e dar ordens às empregadas.

16Examina um terreno e o compra,

e como ganho das suas mãos planta uma vinha.

17Cinge a cintura com firmeza,

e redobra a força dos seus braços.

18Sabe que os negócios vão bem,

e de noite sua lâmpada não se apaga.

19Estende a mão para a roca

e seus dedos seguram o fuso.

20Abre suas mãos ao necessitado

e estende suas mãos ao pobre.

21Se neva, não teme pela casa,

porque todos os criados vestem roupas forradas.

22Tece roupas para o seu uso,

e veste-se de linho e púrpura.

23Seu marido é respeitado, no tribunal,

quando se assenta entre os anciãos da cidade.

 24Fabrica tecidos para vender,

e fornece cinturões ao comerciante.

25Fortaleza e dignidade são seus adornos

e sorri diante do futuro.

26Abre a boca com sabedoria,

e sua língua ensina com bondade.

27Supervisiona o andamento da sua casa,

e não come o pão na ociosidade.

28Seus filhos levantam-se para felicitá-la,

seu marido, para fazer-lhe elogios:

29“Muitas mulheres são fortes,

tu, porém, a todas ultrapassas!”

30O encanto é enganador e a beleza é passageira;

a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor.

31Proclamem o êxito de suas mãos,

e na praça louvem-na as suas obras!

 

Responsório Cf. Pr 31,17.18; cf. Sl 45(46),6

 

R. Eis aqui a mulher que é perfeita,

revestida da força de Deus.

* Sua luz não se apaga de noite.

V. O Senhor a sustenta com a luz de sua face.

Quem a pode abalar? Deus está junto a ela.

* Sua luz.

 

Segunda leitura

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

(Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219)                 (Séc.V)

 

Procuremos alcançar a sabedoria eterna

Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem.Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti. 

Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?” 

O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?” 

Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinquenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.

 

 Responsório 1Cor 7,29a.30b.31; 2,12a

 

R. Meus irmãos, o tempo é breve.

Os que se alegram sejam, pois,

como se não se alegrassem;

os que usam deste mundo,

como se dele não usassem,

* Porque passa a aparência perecível deste mundo.

V. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo.

* Porque passa.

 

Oração

Ó Deus, consolação dos que choram, que acolhestes misericordioso as lágrimas de santa Mônica pela conversão de seu filho Agostinho, dai-nos, pela intercessão de ambos, chorar os nossos pecados e alcançar o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.