Sábado da IV Semana da Quaresma

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

introdução
ouvir:

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino  

Agora é tempo favorável,

divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

 

Da salvação refulge o dia,
na luz de Cristo a fulgurar.

O coração, que o mal feriu,

a abstinência vem curar.

 

Em corpo e alma, a abstinência,

Deus, ajudai-nos a guardar.

Por tal passagem, poderemos

à páscoa eterna, enfim, chegar.

 

Todo o Universo vos adore,

Trindade Santa, Sumo Bem.

Novos por graça entoaremos

um canto novo a vós. Amém.

Salmodia

 

Ant. 1 O Senhor convocou o céu e a terra,

para fazer o julgamento do seu povo.

 

Salmo 49(50)

 

O culto que agrada a Deus

Não vim revogar a Lei, mas consumar (cf. Mt 5,17).

 

I

1 Falou o Senhor Deus, chamou a terra, *

do sol nascente ao sol poente a convocou.

2 De Sião, beleza plena, Deus refulge, *

3 vem a nós o nosso Deus e não se cala.

 

– À sua frente vem um fogo abrasador, *

ao seu redor, a tempestade violenta.

4 Ele convoca céu e terra ao julgamento, *

para fazer o julgamento do seu povo:

 

5 “Reuni à minha frente os meus eleitos, *

que selaram a Aliança em sacrifícios!”

6 Testemunha o próprio céu seu julgamento, *

porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. O Senhor convocou o céu e a terra,

para fazer o julgamento do seu povo.

 

Ant. 2 Invoca-me no dia da angústia,

e então haverei de te livrar.

 

II

 

=7 “Escuta, ó meu povo, eu vou falar; †

ouve, Israel, eu testemunho contra ti: *

Eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus!

 

8 Eu não venho censurar teus sacrifícios, *

pois sempre estão perante mim teus holocaustos;

9 não preciso dos novilhos de tua casa *

nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

10 Porque as feras da floresta me pertencem *

e os animais que estão nos montes aos milhares.

11 Conheço os pássaros que voam pelos céus *

e os seres vivos que se movem pelos campos.

 

12 Não te diria, se com fome eu estivesse, *

porque é meu o universo e todo ser.

13 Porventura comerei carne de touros? *

Beberei, acaso, o sangue de carneiros?

 

14 Imola a Deus um sacrifício de louvor *

e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo.

15 Invoca-me no dia da angústia, *

e então te livrarei e hás de louvar-me”.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Invoca-me no dia da angústia,

e então haverei de te livrar.

 

Ant. 3 O sacrifício de louvor é que me honra.

 

III

=16 Mas ao ímpio é assim que Deus pergunta: †

“Como ousas repetir os meus preceitos *

e trazer minha Aliança em tua boca?

 

17 Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos *

e deste as costas às palavras dos meus lábios!

18 Quando vias um ladrão, tu o seguias *

e te juntavas ao convívio dos adúlteros.

 

19 Tua boca se abriu para a maldade *

e tua língua maquinava a falsidade.

20 Assentado, difamavas teu irmão, *

e ao filho de tua mãe injuriavas.

 

21 Diante disso que fizeste, eu calarei? *

Acaso pensas que eu sou igual a ti?

– É disso que te acuso e repreendo *

e manifesto essas coisas aos teus olhos.

 

=22 Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus, †

para que eu não arrebate a vossa vida, *

sem que haja mais ninguém para salvar-vos!

 

23 Quem me oferece um sacrifício de louvor, *

este sim é que me honra de verdade.

– A todo homem que procede retamente, *

eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. O sacrifício de louvor é que me honra.

 

V. Quem pratica a verdade se põe junto à luz.

R. E suas obras de filho de Deus se revelam.

 

Primeira leitura

Do Livro dos Números             20,1-13; 21,4-9

 

As águas de Meriba e a serpente de bronze

Naqueles dias, 20,1 toda a comunidade dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin, no primeiro mês, e o povo permaneceu em Cades. Ali morreu Maria e ali mesmo foi sepultada.

2Como não havia água para o povo, este juntou-se contra Moisés e Aarão, 3e, levantando-se em motim, disseram: “Antes tivéssemos morrido, quando morreram nossos irmãos diante do Senhor! 4Para que trouxestes a comunidade do Senhor a este deserto, a fim de que morrêssemos, nós e nossos animais? 5Por que nos fizestes sair do Egito e nos trouxestes a este lugar detestável, em que não se pode semear, e que não produz figueiras, nem vinhas, nem romãzeiras, e, além disso, não tem água para beber?”

6Deixando a comunidade, Moisés e Aarão foram até a entrada da Tenda da Reunião, e prostraram-se com a face em terra. E a glória do Senhor apareceu sobre eles. 7O Senhor falou, então, a Moisés, dizendo: 8“Toma a tua vara e reúne o povo, tu e teu irmão Aarão; na presença deles ordenai à pedra e ela dará água. Quando fizeres sair água da pedra, dá de beber à comunidade e aos seus animais”.

9Moisés tomou, então, a vara que estava diante do Senhor, como lhe fora ordenado. 10Depois, Moisés e Aarão reuniram a assembleia diante do rochedo, e Moisés lhes disse: “Ouvi, rebeldes! Poderemos, acaso, fazer sair água desta pedra para vós?” 11E, levantando a mão, Moisés feriu duas vezes a rocha com a vara, e jorrou água em abundância, de modo que o povo e os animais puderam beber.

12Então o Senhor disse a Moisés e a Aarão: “Visto que não acreditastes em mim, para manifestar a minha santidade aos olhos dos filhos de Israel, não introduzireis este povo na terra que lhe vou dar”. 13Estas são as águas de Meriba, onde os filhos de Israel disputaram contra o Senhor, e ele lhes manifestou a sua santidade.

21,4 Os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem o povo começou a impacientar-se, 5esse pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo:“Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”.

6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

 

Responsório             Jo 3,14.15.17

 

R. Como Moisés ergueu na haste a serpente no deserto,

assim o Filho do Homem há de ser levantado.

* Para que, quem nele crer, não pereça para sempre,

mas possua a vida eterna.

V. Deus enviou seu Filho ao mundo,

para que o mundo seja salvo

e não para julgá-lo. * Para que.

 

Segunda leitura

Da Constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II

(N.37-38)

(Séc.XX)

 

Toda a atividade humana deve ser purificada

no mistério pascal

A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso, grande bem para o homem, traz também consigo uma enorme tentação. De fato, quando a hierarquia de valores é alterada e o bem e o mal se misturam, os indivíduos e os grupos consideram somente seus próprios interesses e não o dos outros.

Por esse motivo, o mundo deixa de ser o lugar da verdadeira fraternidade, enquanto o aumento do poder da humanidade ameaça destruir o próprio gênero humano.

Se alguém pergunta como pode ser vencida essa miserável situação, os cristãos afirmam que todas as atividades humanas, quotidianamente postas em perigo pelo orgulho do homem e o amor desordenado de si mesmo, precisam ser purificadas e levadas à perfeição por meio da cruz e ressurreição de Cristo.

Redimido por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar as coisas criadas pelo próprio Deus. Com efeito, recebe-as de Deus; olha-as e respeita-as como dons vindos das mãos de Deus.

Agradecendo por elas ao divino Benfeitor e usando e fruindo das criaturas em espírito de pobreza e liberdade, é introduzido na verdadeira pose do mundo, como se nada tivesse e possuísse: Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus (1Cor 3,22-23).

O Verbo de Deus, por quem todas as coisas foram feitas, que se encarnou e veio habitar na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a em si. Ele nos revela que Deus é amor (1Jo 4,8) e ao mesmo tempo nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana, e, portanto, da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor.

Aos que acreditam no amor de Deus, ele dá a certeza de que o caminho do amor está aberto a todos os homens e não é inútil o esforço para instaurar uma fraternidade universal. Adverte-nos também que esta caridade não deve ser praticada somente nas grandes ocasiões, mas, antes de tudo, nas circunstâncias ordinárias da vida.

Sofrendo a morte por todos nós pecadores, ele nos ensina com o seu exemplo que devemos também carregar a cruz que a carne e o mundo impõem sobre os ombros dos que procuram a paz e a justiça.

Constituído Senhor por sua ressurreição, Cristo, a quem foi dado todo poder no céu e na terra, age nos corações dos homens pelo poder de seu Espírito. Não somente suscita o desejo do mundo futuro, mas anima, purifica e fortalece por esse desejo os propósitos generosos com que a família humana procura melhorar suas condições de vida e submeter para este fim a terra inteira.

São diversos, porém, os dons do Espírito. Enquanto chama alguns para testemunharem abertamente o desejo da morada celeste e conservarem vivo esse testemunho na família humana, chama outros para se dedicarem ao serviço terrestre dos homens e prepararem com esse ministério a matéria do reino dos céus.

A todos, porém, liberta para que, renunciando ao egoísmo e empregando todas as energias terrenas em prol da vida humana, se lancem decididamente para as realidades futuras, quando a própria humanidade se tornará uma oferenda agradável a Deus.

 

Responsório 2Cor 5,15; Rm 4,25

 

R. Cristo por todos morreu,

* Para que aqueles que vivem não vivam mais para si,

mas vivam, sim, para aquele que por eles morreu

e ressurgiu dentre os mortos.

V. Foi entregue por nossos pecados,

ressurgiu para justificar-nos. * Para que aqueles.

 

Oração

Ó Deus, na vossa misericórdia, dirigi os nossos corações, pois sem vosso auxílio não vos podemos agradar. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.