Quarta-feira da IV Semana da Quaresma

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

introdução
ouvir:

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino  

Agora é tempo favorável,

divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

 

Da salvação refulge o dia,
na luz de Cristo a fulgurar.

O coração, que o mal feriu,

a abstinência vem curar.

 

Em corpo e alma, a abstinência,

Deus, ajudai-nos a guardar.

Por tal passagem, poderemos

à páscoa eterna, enfim, chegar.

 

Todo o Universo vos adore,

Trindade Santa, Sumo Bem.

Novos por graça entoaremos

um canto novo a vós. Amém.

Salmodia

 

Ant. 1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,

não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

Salmo 102(103)

 

Hino à misericórdia do Senhor

Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78).

 

I

1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *

e todo o meu ser, seu santo nome!

2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *

não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

3 Pois ele te perdoa toda culpa, *

e cura toda a tua enfermidade;

4 da sepultura ele salva a tua vida *

e te cerca de carinho e compaixão;

5 de bens ele sacia tua vida, *

e te tornas sempre jovem como a águia!

 

6 O Senhor realiza obras de justiça *

e garante o direito aos oprimidos;

7 revelou os seus caminhos a Moisés, *

e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Bendize, ó minha alma, ao Senhor,

não te esqueças de nenhum de seus favores!

 

Ant. 2 Como um pai se compadece de seus filhos,

o Senhor tem compaixão dos que o temem.

 

II

8 O Senhor é indulgente, é favorável, *

é paciente, é bondoso e compassivo.

9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, *

nem guarda eternamente o seu rancor.

10 Não nos trata como exigem nossas faltas, *

nem nos pune em proporção às nossas culpas.

 

11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, *

tanto é grande o seu amor aos que o temem;

12 quanto dista o nascente do poente, *

tanto afasta para longe nossos crimes.

13 Como um pai se compadece de seus filhos, *

o Senhor tem compaixão dos que o temem.

 

14 Porque sabe de que barro somos feitos, *

e se lembra que apenas somos pó.

15 Os dias do homem se parecem com a erva, *

ela floresce como a flor dos verdes campos;

16 mas apenas sopra o vento ela se esvai, *

já nem sabemos onde era o seu lugar.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Como um pai se compadece de seus filhos,

o Senhor tem compaixão dos que o temem.

 

Ant. 3 Obras todas do Senhor, glorificai-o!

 

III

17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme *

é de sempre e perdura para sempre;

– e também sua justiça se estende *

por gerações até os filhos de seus filhos,

18 aos que guardam fielmente sua Aliança *

e se lembram de cumprir os seus preceitos.

 

19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, *

e abrange o mundo inteiro seu reinado.

=20 Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, †

valorosos que cumpris as suas ordens, *

sempre prontos para ouvir a sua voz!

 

21 Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, *

seus ministros, que fazeis sua vontade!

=22 Bendizei-o, obras todas do Senhor †

em toda parte onde se estende o seu reinado! *

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Obras todas do Senhor, glorificai-o!

 

V. Convertei-vos e mudai a vossa vida.

R. Renovai-vos de espírito e coração!

 

Primeira leitura

Do Livro dos Números             11,4-6.10-30

 

O Espírito é dado aos anciãos e a Josué

Naqueles dias, 4um grupo de pessoas que estava no meio deles foi atacado de um desejo desordenado, e os filhos de Israel começaram a lamentar-se, dizendo: “Quem nos dará carne para comer? 5Vêm-nos à memória os peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos e os melões,as verduras, as cebolas e os alhos. 6Aqui nada tem gosto ao nosso paladar, não vemos outra coisa a não ser o maná”.

10Moisés ouviu, pois, o povo lamentar-se em cada família, cada um à entrada de sua tenda. 11Então o Senhor tomou-se de uma cólera violenta, e Moisés, achando também tal coisa intolerável, disse ao Senhor: “Por que maltrataste assim o teu povo? Por que gozo tão pouco do teu favor, a ponto de descarregares sobre mim o peso de todo este povo? 12Acaso fui eu quem concebeu e deu à luz todo este povo, para que me digas: ‘Carrega-o ao colo, como a ama costuma fazer com a criança; e leva-o à terra que juraste dar a seus pais!’ 13Onde conseguirei carne para dar a toda esta gente? Pois se lamentam contra mim, dizendo: ‘Dá-nos carne para comer!’ 14Já não poso suportar sozinho o peso de todo este povo: é grande demais para mim. 15Se queres continuar a tratar-me assim, peço-te que me tires a vida, se achei graça a teus olhos, para que eu não veja mais tamanha desgraça”.

16O Senhor disse a Moisés: “Reúne-me setenta homens dentre os anciãos de Israel, que tu conheces como anciãos e magistrados do povo, e traze-os à Tenda da Reunião, onde devem esperar contigo. 17Descerei ali para falar contigo, e retirarei um pouco do espírito que há em ti e o darei a eles, para que te ajudem a carregar o fardo do povo e não sejas sozinho a suportá-lo. 18E dirás ao povo: Santificai-vos e amanhã comereis carne. Pois eu os ouvi chorar dizendo: ‘Quem nos dará carne para comer? Estávamos tão bem no Egito!.’ O Senhor vos dará carne para comer, e vós a comereis. 19E não apenas um dia, nem dois, nem cinco ou dez, nem mesmo vinte, 20mas durante um mês inteiro, até que a carne vos saia pelas narinas e vos cause náuseas. Pois rejeitastes o Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: ‘Por que saímos do Egito?’” 21Moisés replicou: “O povo no meio do qual estou conta seiscentos mil homens a pé, e tu dizes: ‘Vou dar-lhes carne para que comam um mês inteiro!’ 22Porventura se matará uma multidão de ovelhas e bois, para que tenham comida suficiente? Ou se ajuntarão todos os peixes do mar, para que fiquem saciados?” 23Ao que o Senhor respondeu: “Acaso foi diminuído o poder do Senhor? Agora mesmo verás se minha palavra se cumpre ou não”.

24Moisés saiu da Tenda, e comunicou ao povo as palavras do Senhor. Reuniu, depois, setenta homens dentre os anciãos do povo, e colocou-os ao redor da Tenda. 25O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Retirou um pouco do espírito que Moisés possuía e o deu aos setenta anciãos. Assim que repousou sobre eles o espírito, puseram-se a profetizar, mas não continuaram. 26Dois homens, porém, tinham ficado no acampamento. Um chamava-se Eldad e o outro Medad. O espírito repousou igualmente sobre os dois, que estavam na lista mas não tinham ido à Tenda, e eles profetizavam no acampamento. 27Um jovem correu a avisar Moisés que Eldad e Medad estavam profetizando no acampamento. 28Josué, filho de Nun, ajudante de Moisés desde a juventude, disse: “Moisés, meu Senhor, manda que eles se calem!” 29Moisés respondeu: “Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!” 30E Moisés recolheu-se ao acampamento com os anciãos de Israel.

 

Responsório Jl 3,1bc.2b; At 1,8

 

 

R. Derramarei meu Espírito sobre todo ser vivo

e profetizarão vossos filhos e filhas.

* Naqueles dias irei derramar o meu Espírito.

V. Recebereis a força do Espírito

e sereis testemunhas de mim até os extremos da terra.

* Naqueles dias.

 

Segunda leitura

Das Cartas de São Máximo, o Confessor, abade

(Epist. 11: PG91,454-455)

(Séc.VII)

 

A misericórdia do Senhor para com os pecadores 

que se convertem

Os pregadores da verdade e os ministros da graça divina, todos os que, desde o princípio até os nossos dias, cada um a seu tempo, expuseram a vontade salvífica de Deus, dizem que nada lhe é tão agradável e conforme a seu amor como a conversão dos homens a ele com sincero arrependimento.

E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai (ou melhor, o primeiro e único sinal de sua bondade infinita), num ato de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num ato de condescendência para com a humanidade, dignou-se habitar no meio de nós, fazendo-se homem. E realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que havíamos perdido.

O Verbo de Deus não curou apenas nossas enfermidades com o poder dos milagres. Tomou sobre si as nossas fraquezas, pagou a nossa dívida mediante o suplício da cruz, libertando-nos dos nossos muitos e gravíssimos pecados, como se ele fosse o culpado, quando na verdade era inocente de qualquer culpa. Além disso, com muitas palavras e exemplos, exortou-nos a imitá-lo na bondade, na compreensão e na perfeita caridade fraterna.

Por isso dizia o Senhor: Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão (Lc 5,32). E também: Aqueles que têm saúde não precisam de médicos, mas sim os doentes (Mt 9,12). Disse ainda que viera procurar ao velha desgarrada e que fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Do mesmo modo, pela parábola da dracma perdida, deu a entender mais veladamente que viera restaurar no homem a imagem divina que estava corrompida pelos mais repugnantes pecados. E afirmou: Em verdade eu vos digo, haverá alegria no céu por um só pecador que se converte (cf. Lc 15,7).

Por esse motivo, contou a parábola do bom samaritano: àquele homem que caíra nas mãos dos ladrões, e fora despojado de todas as vestes, maltratado e deixado semimorto, atou-lhe as feridas, tratou-as com vinho e óleo e, tendo colocado em seu jumento, deixou-o numa hospedaria para que cuidassem dele; pagou o necessário para o seu tratamento e ainda prometeu, dar na volta, o que porventura se gastasse a mais.

Mostrou-nos ainda a condescendência e bondade do pai que recebeu afetuosamente o filho pródigo que voltava, como o abraçou porque retornara arrependido, revestiu-o de novo com as insígnias de sua nobreza familiar e esqueceu todo o mal que fizera. Pela mesma razão, reconduziu ao redil a ovelhinha que se afastara das outras cem ovelhas de Deus e fora encontrada vagueando por montes e colinas. Não lhe bateu nem a ameaçou nem a extenuou de cansaço; pelo contrário, colocando-a em seus próprios ombros, cheio de compaixão, trouxe-a sã e salva para o rebanho.

E deste modo exclamou: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo (Mt 11,28-29). Ele chamava de jugo os mandamentos ou a vida segundo os preceitos evangélicos; e quanto ao peso, que pela penitência parecia ser grande e mais penoso, acrescentou: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).

Outra vez, querendo nos ensinar a justiça e a bondade de Deus, exortava-nos com estas palavras: Sede santos, sede perfeitos, sede misericordiosos, como também vosso Pai celeste é misericordioso (cf. Mt 5,48; Lc 6,36). E: Perdoai, e sereis perdoados (Lc 6,37). Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles (Mt 7,12).

 

Responsório Cf. Ez 33,11; Sl 93(94),19

 

R. Senhor, se eu não conhecesse vosso amor compassivo

eu iria sofrer. Mandaste dizer:

Eu não tenho prazer na morte do ímpio,

mas que ele volte e tenha a vida!

* Vós que chamastes à conversão

a Cananéia e o Publicano!

V. Quando o meu coração se angustia,

consolais e alegrais minha alma. * Vós que.

 

Oração

 

Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para conosco: fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.