3º DOMINGO DA QUARESMA

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

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introdução

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R.
Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

Seguindo o preceito místico, 

guardemos a abstinência
durante os quarenta dias
votados à penitência.
 


A Lei e os Profetas dantes
cumpriram igual preceito,

Mas Cristo, no seu deserto,
viveu o jejum perfeito.

Usemos de modo sóbrio
da fala, bebida e pão,

do sono e do riso e, atentos,
peçamos a Deus perdão.

Fujamos do mal oculto
que os laços do amor desfaz;
à voz do tirano astuto
não demos lugar jamais.

Ouvi, Unidade simples,
Trindade, Supremo Bem:
a graça da penitência
dê frutos em nós. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Todos os dias haverei
de bendizer-vos, ó Senhor.


Salmo 144(145)

Louvor à grandeza de Deus

Justo és tu, Senhor, aquele que é e que era, o Santo (Ap 16,5).


I

1 Ó meu Deus, quero exaltar-vos,ó meu Rei, *
e bendizer o vosso nome pelos séculos.

2 Todos os dias haverei de bendizer-vos, *
hei de louvar o vosso nome para sempre.
3 Grande é o Senhor e muito digno de louvores, *
e ninguém pode medir sua grandeza.

4 Uma idade conta à outra vossas obras *
e publica os vossos feitos poderosos;
5 proclamam todos o esplendor de vossa glória *
e divulgam vossas obras portentosas!  

6 Narram todos vossas obras poderosas, *
e de vossa imensidade todos falam.
7 Eles recordam vosso amor tão grandioso *
e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.

8 Misericórdia e piedade é o Senhor, *
ele é amor, é paciência, é compaixão.
9 O Senhor é muito bom para com todos, *
sua ternura abraça toda criatura.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Todos os dias haverei
de bendizer-vos, ó Senhor.

Ant. 2 O vosso reino, ó Senhor, é para sempre.


II

10 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, *
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
11 Narrem a glória e o esplendor do vosso reino *
e saibam proclamar vosso poder!

12 Para espalhar vossos prodígios entre os homens *
e o fulgor de vosso reino esplendoroso.
13 O vosso reino é um reino para sempre, *
vosso poder, de geração em geração.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. O vosso reino, ó Senhor, é para sempre.

Ant. 3 O Senhor é amor fiel em sua palavra,
é santidade em toda obra que ele faz.


III

13b O Senhor é amor fiel em sua palavra, *
é santidade em toda obra que ele faz.
14 Ele sustenta todo aquele que vacila *
e levanta todo aquele que tombou.

15 Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam*
e vós lhes dais no tempo certo o alimento;
16 vós abris a vossa mão prodigamente *
e saciais todo ser vivo com fartura.  

17 É justo o Senhor em seus caminhos, *
é santo em toda obra que ele faz.
18 Ele está perto da pessoa que o invoca, *
de todo aquele que o invoca lealmente.

19 O Senhor cumpre os desejos dos que o temem, *
ele escuta os seus clamores e os salva.
20 O Senhor guarda todo aquele que o ama, *
mas dispersa e extermina os que são ímpios.

=21 Que a minha boca cante a glória do Senhor †
e que bendiga todo ser seu nome santo *
desde agora, para sempre e pelos séculos.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. O Senhor é amor fiel em sua palavra,
é santidade em toda obra que ele faz.

V. Vós o nutris com o pão da vida e do saber.

R. E o saciais com uma água salutar.

 

Primeira leitura

Do Livro do Êxodo             22,19−23,9

 

Leis para proteger o estrangeiro e o pobre

(Código da Aliança)

Eis o que diz o Senhor: 2,19 Quem oferecer sacrifícios aos deuses, e não unicamente ao Senhor, será condenado ao extermínio.

20Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.

21Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor. 23Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.

24Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros.

25Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr-do-sol. 26Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

27Não blasfemarás contra Deus, nem injuriarás o príncipe do povo.

28Não atrasarás a oferta da tua colheita e do teu lagar. Deverás dar-me o primogênito de teus filhos.

29O mesmo farás com o primogênito das vacas e das ovelhas: ele ficará sete dias com a mãe, e no oitavo dia tu o entregarás a mim.

30Para mim, vós deveis ser santos. Não comais carne de animal dilacerado no campo, mas lançai-a aos cães.

23,1 Não aceitarás rumores falsos contra o teu próximo, nem darás tua mão ao ímpio, pronunciando um falso testemunho. 2Não seguirás a multidão para fazer o mal; nem aceitarás, num processo, o parecer da maioria, para te desviares da verdade.

3Não favorecerás um pobre num julgamento.

4Se encontrares o boi do teu inimigo ou o seu jumento desgarrado, não deixes de reconduzi-los ao seu dono.

5Se vires o jumento daquele que te odeia caído debaixo da sua carga, não passarás adiante, mas ajudarás a erguê-lo.

6Não distorcerás o direito do pobre no seu processo.

7Fugirás da mentira. Não matarás o inocente e o justo, porque eu abomino o ímpio.

8Não aceitarás presentes, porque eles tornam cegos os perspicazes, e comprometem a causa dos justos.

9Não oprimirás o estrangeiro; pois sabeis o que sente um estrangeiro, vós que também fostes estrangeiros no Egito.

 

Responsório             Sl 81(82),3-4; cf. Tg 2,5

 

R. Fazei justiça aos indefesos e aos órfãos,

ao pobre e ao humilde absolvei!

* Libertai o oprimido, o infeliz,

da mão dos opressores arrancai-os.

V. Deus escolheu os que são pobres neste mundo

para que eles sejam ricos pela fé,

e se tornem os herdeiros de seu reino. * Libertai.

 

Segunda leitura

Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo 

(Tract.15,10-12.16-17:CCL 36,154-156)            (Séc.V)

 

Veio uma mulher da Samaria para tirar água

Veio uma mulher. Esta mulher é figura da Igreja, ainda não justificada, mas já a caminho da justificação. É disso que iremos tratar.

A mulher veio sem saber o que ali a esperava; encontrou Jesus, e Jesus dirigiu-lhe a palavra. Vejamos o fato e a razão por que veio uma mulher da Samaria para tirar água (Jo 4,7). Os samaritanos não pertenciam ao povo judeu; não eram do povo escolhido. Faz parte do simbolismo da narração que esta mulher, figura da Igreja, tenha vindo de um povo estrangeiro; porque a Igreja viria dos pagãos, dos que não pertenciam à raça judaica.

Ouçamos, portanto, a nós mesmos nas palavras desta mulher, reconheçamo-nos nela e nela demos graças a Deus por nós. Ela era uma figura, não a realidade; começou por ser figura, e tornou-se realidade. Pois acreditou naquele que queria torná-la uma figura de nós mesmos. Veio para tirar água. Viera simplesmente para tirar água, como costumam fazer os homens e as mulheres.

Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato os judeus não se dão com os samaritanos (Jo 4,7-9.)

Estais vendo que são estrangeiros. Os judeus de modo algum se serviam dos cântaros dos samaritanos. Como a mulher trazia consigo um cântaro para tirar água, admirou-se que um judeu lhe pedisse de beber, pois os judeus não costumavam fazer isso. Mas aquele que pedia de beber tinha sede da fé daquela mulher.

Escuta agora quem pede de beber. Respondeu-lhe Jesus? “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva (Jo 4,10).

Pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros. Se tu conhecesses o dom de Deus, diz ele. O dom de Deus é o Espírito Santo. Jesus fala ainda veladamente à mulher, mas pouco a pouco entra em seu coração, e vai lhe ensinando. Que haverá de mais suave e bondoso que esta exortação? Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’,tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.

Que água lhe daria ele, senão aquela da qual está escrito: Em vós está a fonte da vida? (Sl 35,10). Pois como podem ter sede os que vêm saciar-se na abundância de vossa morada? (Sl 35,9).

O Senhor prometia à mulher um alimento forte, prometia saciá-la com o Espírito Santo. Mas ela ainda não compreendia. E, na sua incompreensão, que respondeu? Disse-lhe então a mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (Jo 4,15). A necessidade a obrigava a trabalhar, mas sua fraqueza recusava o trabalho. Se ao menos ela tivesse ouvido aquelas palavras: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso! (Mt 11,28). Jesus dizia-lhe tudo aquilo para que não se cansasse mais; ela, porém, ainda não compreendia.

 

Responsório             Cf. Jo 7,37-39; 4,14

 

R. Estando em pé, Jesus clamava em alta voz:

Quem tem sede venha a mim, venha beber;

e torrentes de água viva jorrarão

do mais íntimo de quem tem fé em mim.

* Jesus dizia isto do Espírito

que devia receber quem nele cresse.

V. Quem beber daquela água que eu lhe der,

nunca mais sentirá sede, diz Jesus. * Jesus dizia.

 

Oração  

Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.