Terça-feira da II Semana da Quaresma

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino  

Agora é tempo favorável,

divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

 

Da salvação refulge o dia,
na luz de Cristo a fulgurar.

O coração, que o mal feriu,

a abstinência vem curar.

 

Em corpo e alma, a abstinência,

Deus, ajudai-nos a guardar.

Por tal passagem, poderemos

à páscoa eterna, enfim, chegar.

 

Todo o Universo vos adore,

Trindade Santa, Sumo Bem.

Novos por graça entoaremos

um canto novo a vós. Amém.

Salmodia

 

Ant. 1 Confia ao Senhor o teu destino;

confia nele e com certeza ele agirá.

 

Salmo 36(37)

 

O destino dos maus e dos bons

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra (Mt 5,5).

 

I

1 Não te irrites com as obras dos malvados *

nem invejes as pessoas desonestas;

2 eles murcham tão depressa como a grama, *

como a erva verdejante secarão.

 

3 Confia no Senhor e faze o bem, *

e sobre a terra habitarás em segurança.

4 Coloca no Senhor tua alegria, *

e ele dará o que pedir teu coração.

 

5 Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; *

confia nele, e com certeza ele agirá.

6 Fará brilhar tua inocência como a luz, *

e o teu direito, como o sol do meio-dia. 

 

7 Repousa no Senhor e espera nele! *

Não cobices a fortuna desonesta,

– nem invejes quem vai bem na sua vida *

mas oprime os pequeninos e os humildes.

 

8 Acalma a ira e depõe o teu furor!*

Não te irrites, pois seria um mal a mais!

9 Porque serão exterminados os perversos, *

e os que esperam no Senhor terão a terra.

 

10 Mais um pouco e já os ímpios não existem; *

se procuras seu lugar, não o acharás.

11 Mas os mansos herdarão a nova terra, *

e nela gozarão de imensa paz.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Confia ao Senhor o teu destino;

confia nele e com certeza ele agirá.

 

Ant. 2 Afasta-te do mal e faze o bem,

pois a força do homem justo é o Senhor.

 

II

12 O pecador arma ciladas contra o justo *

e, ameaçando, range os dentes contra ele;

13 mas o Senhor zomba do ímpio e ri-se dele, *

porque sabe que o seu dia vai chegar.

 

14 Os ímpios já retesam os seus arcos *

e tiram sua espada da bainha,

– para abater os infelizes e os pequenos *

e matar os que estão no bom caminho;

15 mas sua espada há de ferir seus corações, *

e os seus arcos hão de ser despedaçados.

 

16 Os poucos bens do homem justo valem mais *

do que a fortuna fabulosa dos iníquos.

17 Pois os braços dos malvados vão quebrar-se, *

mas aos justos é o Senhor que os sustenta. 

 

18 O Senhor cuida da vida dos honestos, *

e sua herança permanece eternamente.

19 Não serão envergonhados nos maus dias, *

mas nos tempos de penúria, saciados.

 

20 Mas os ímpios com certeza morrerão, *

perecerão os inimigos do Senhor;

– como as flores das campinas secarão, *

e sumirão como a fumaça pelos ares.

 

21 O ímpio pede emprestado e não devolve, *

mas o justo é generoso e dá esmola.

22 Os que Deus abençoar, terão a terra; *

os que amaldiçoar, se perderão.

 

23 É o Senhor quem firma os passos dos mortais *

e dirige o caminhar dos que lhe agradam;

24 mesmo se caem, não irão ficar prostrados, *

pois é o Senhor quem os sustenta pela mão.

 

=25 Já fui jovem e sou hoje um ancião, †

mas nunca vi um homem justo abandonado, *

nem seus filhos mendigando o próprio pão.

26 Pode sempre emprestar e ter piedade; *

seus descendentes hão de ser abençoados.

 

27 Afasta-te do mal e faze o bem, *

e terás tua morada para sempre.

28 Porque o Senhor Deus ama a justiça, *

e jamais ele abandona os seus amigos.

 

– Os malfeitores hão de ser exterminados, *

e a descendência dos malvados destruída;

29 mas os justos herdarão a nova terra *

e nela habitarão eternamente.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Afasta-te do mal e faze o bem,

pois a força do homem justo é o Senhor.

 

Ant. 3 Confia em Deus e segue sempre seus caminhos!

 

III

 –30 O justo tem nos lábios o que é sábio, *

sua língua tem palavras de justiça;

31 traz a Aliança do seu Deus no coração, *

e seus passos não vacilam no caminho.

 

32 O ímpio fica à espreita do homem justo, *

estudando de que modo o matará;

33 mas o Senhor não o entrega em suas mãos, *

nem o condena quando vai a julgamento.

 

34 Confia em Deus e segue sempre seus caminhos; *

ele haverá de te exaltar e engrandecer;

– possuirás a nova terra por herança, *

e assistirás à perdição dos malfeitores.

 

35 Eu vi o ímpio levantar-se com soberba, *

elevar-se como um cedro exuberante;

36 depois passei por lá e já não era, *

procurei o seu lugar e não o achei.

 

37 Observa bem o homem justo e o honesto: *

quem ama a paz terá bendita descendência.

38 Mas os ímpios serão todos destruídos, *

e a sua descendência exterminada.

 

39 A salvação dos piedosos vem de Deus; *

ele os protege nos momentos de aflição.

=40 O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, †

defende-os e protege-os contra os ímpios, *

e os guarda porque nele confiaram.

 – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Confia em Deus e segue sempre seus caminhos!

V. Eis o tempo de conversão.

R. Eis o dia da salvação.

 

Primeira leitura

Do Livro do Êxodo             16,1-18.35

 

O maná no deserto

1Toda a comunidade dos filhos de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês da saída do Egito.

2A comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera se tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?”

4O Senhor disse a Moisés: “Eu farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 5No sexto dia, quando prepararem o que tiverem trazido, terão o dobro do que recolherem diariamente”.

6Moisés e Aarão disseram a todos os filhos de Israel:

“Esta tarde, sabereis que foi o Senhor

que vos fez sair da terra do Egito;

7e, pela manhã, vereis a glória do Senhor.

Ele ouviu as vossas murmurações contra o Senhor; porém, quem somos nós, para que murmureis contra nós?”

8E Moisés continuou:

“O Senhor vos dará esta tarde carne para comerdes,

e pela manhã pão com fartura;

porque ouviu as murmurações que fizestes contra ele. Nós, porém, quem somos? Não é contra nós a vossa murmuração, mas contra o Senhor”.

9E Moisés disse a Aarão:“Dize a toda a comunidade dos filhos de Israel: ‘Apresentai-vos diante do Senhor, pois ele ouviu a vossa murmuração’”. 10Enquanto Aarão falava a toda a comunidade dos filhos de Israel, voltando os olhos para o deserto, eles viram aparecer na nuvem a glória do Senhor. 11O Senhor falou, então, a Moisés, dizendo: 12“Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”.

13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento.

14Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes:“Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento. 16Eis a ordem que o Senhor vos deu: Que cada um recolha para comer a quantia deque necessita, quatro litros e meio por cabeça, e de acordo com o número de pessoas que moram em cada tenda”. 17Assim fizeram os filhos de Israel, recolhendo uns mais, outros menos. 18Mas, ao medir depois as quantias, não sobrava a quem tinha recolhido mais, nem faltava a quem tinha recolhido menos; cada um recolhia quanto podia comer.

35Os filhos de Israel comeram maná durante quarenta anos, até entrarem em terra habitada; alimentaram-se com esta comida até chegarem às fronteiras de Canaã.

 

Responsório             Cf. Sb 16,20; Jo 6,32b

 

R. Saciastes vosso povo com manjar digno de anjos

e lhes destes pão do céu,

* Que contém toda delícia e agrada a todo gosto.

V. Não foi Moisés quem deu outrora

aquele pão que vem do céu,

porém, meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu.

* Que contém.

 

Segunda leitura

Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo

(Ps 140,4-6:CCL 40,2028-2029)            (Séc.V)

 

A paixão de todo o corpo de Cristo

Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me sem demora (Sl 140,1). Isto todos nós podemos dizer. Não sou eu que digo, é o Cristo total que diz. Contudo, estas palavras foram ditas especialmente em nome do Corpo, porque, quando Cristo estava neste mundo, orou como homem; orou ao Pai em nome do Corpo; e enquanto orava, gotas de sangue caíram de todo o seu corpo. Assim está escrito no Evangelho: Jesus rezava com mais insistência e seu suor tornou-se como gotas de sangue (Lc 22,44). Que significa este derramamento de sangue de todo o seu corpo, senão a paixão dos mártires de toda a Igreja?

Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me sem demora. Quando eu grito, escutai minha voz! (Sl 140,1). Julgavas ter acabado de vez o teu clamor ao dizer: eu clamo por vós. Clamaste, mas não julgues que já estejas em segurança. Se findou a tribulação, findou também o clamor; mas se a tribulação da Igreja e do Corpo de Cristo continua até o fim dos tempos, não só devemos dizer: eu clamo por vós, socorrei-me sem demora; mas: Quando eu grito, escutai minha voz!

Minha oração suba a vós como incenso, e minhas mãos, como oferta da tarde (Sl 140,2).

Todo cristão sabe que esta expressão continua a ser atribuída à própria Cabeça. Porque, na verdade, foi ao cair da tarde daquele dia, que o Senhor, voluntariamente, entregou na cruz sua vida, para retomá-la em seguida. Também aqui estávamos representados. Com efeito, o que estava suspenso na cruz foi o que ele assumiu da nossa natureza. Como seria possível que o Pai rejeitasse e abandonasse algum momento seu Filho Unigênito, sendo ambos um só Deus? Contudo, cravando nossa frágil natureza na cruz, onde o nosso homem velho, como diz o Apóstolo, foi crucificado com Cristo (Rm 6,6), clamou com a voz da nossa humanidade: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21,2).

Eis, portanto, o verdadeiro sacrifício vespertino: a paixão do Senhor, a cruz do Senhor, a oblação da vítima salvadora, o holocausto agradável a Deus. Esse sacrifício vespertino, ele o converteu, por sua ressurreição, em oferenda da manhã. Assim, a oração que se eleva, com toda pureza, de um coração fiel, é como o incenso que sobe do altar sagrado. Não há aroma mais agradável a Deus: possam todos os fiéis oferecê-lo ao Senhor.

Por isso, o nosso homem velho – são palavras do Apóstolo – foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo do pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado (Rm 6,6).

 

Responsório             Cf. Gl 2,19.20

 

R. Estou pregado com Cristo na cruz.

* Eu vivo, porém, já não eu,

mas Cristo é que vive em mim.

V. Vivo agora esta vida na fé no Filho de Deus, Jesus Cristo,

que me amou e, por mim, se entregou. * Eu vivo.

 

Oração
Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção, e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.