Sábado da II Semana da Quaresma

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

introdução
ouvir:

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino  

Agora é tempo favorável,

divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

 

Da salvação refulge o dia,
na luz de Cristo a fulgurar.

O coração, que o mal feriu,

a abstinência vem curar.

 

Em corpo e alma, a abstinência,

Deus, ajudai-nos a guardar.

Por tal passagem, poderemos

à páscoa eterna, enfim, chegar.

 

Todo o Universo vos adore,

Trindade Santa, Sumo Bem.

Novos por graça entoaremos

um canto novo a vós. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos;
visitai-me com a vossa salvação!

 Salmo 105(106)
A bondade do Senhor e a infidelidade do povo

Essas coisas foram escritas para nos admoestar e instruir
a nós que já chegamos ao fim dos tempos
(1Cor 10,11).
 

I

1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, *
porque eterna é a sua misericórdia!

2
Quem conta os grandes feitos do Senhor? *
Quem canta todo o louvor que ele merece?  

3 Felizes os que guardam seus preceitos *
e praticam a justiça em todo o tempo!

4
Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos,*
pelo amor que demonstrais ao vosso povo!

– Visitai-me com a vossa salvação, *
5 para que eu veja o bem-estar do vosso povo,
– e exulte na alegria dos eleitos, *
e me glorie com os que são vossa herança.  

6 Pecamos como outrora nossos pais, *
praticamos a maldade e fomos ímpios;

7
no Egito nossos pais não se importaram *
com os vossos admiráveis grandes feitos.

– Logo esqueceram vosso amor prodigioso *
e provocaram o Senhor no mar Vermelho;

8
mas salvou-os pela honra de seu nome, *
para dar a conhecer o seu poder.

9 Ameaçou o mar Vermelho e ele secou, *
entre as ondas os guiou como em deserto;

10
dos seus perseguidores os salvou, *
e do poder do inimigo os libertou.

11 Seus opressores afogaram-se nas águas, *
tanto assim que não sobrou nenhum sequer.

12
Então tiveram fé na sua palavra *
e cantaram em seguida o seu louvor.

13 Mas bem depressa esqueceram suas obras, *
não confiaram nos projetos do Senhor.

14
No deserto deram largas à cobiça, *
na solidão eles tentaram o Senhor.

15 Concedeu-lhes o Senhor o que pediam *
e saciou a sua gula e seus desejos.

16
Invejaram a Moisés no acampamento, *
e a Aarão, o consagrado do Senhor.

17 Abriu-se a terra e ali tragou Datan *
e sepultou o bando todo de Abiron.

18
Um fogo consumiu seus seguidores, *
uma chama devorou aqueles ímpios.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 

Ant. Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos;
visitai-me com a vossa salvação!
 

Ant. 2 O povo da Aliança somos nós:
não esqueçamos o amor do nosso Deus!
 

II

19 Construíram um bezerro no Horeb *
e adoraram uma estátua de metal;

20
eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, *
pela imagem de um boi que come feno.

21 Esqueceram-se do Deus que os salvara, *
que fizera maravilhas no Egito;

22
no país de Cam fez tantas obras admiráveis, *
no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas.

23 Até pensava em acabar com sua raça, *
não se tivesse Moisés, o seu eleito,

– interposto, intercedendo junto a ele, *
para impedir que sua ira os destruísse.

24 Desprezaram uma terra de delícias, *
não confiaram na palavra do Senhor;

25
murmuraram contra ele em suas tendas, *
não quiseram escutar a sua voz.

26 Então, erguendo a mão, ele jurou *
que havia de prostrá-los no deserto

– e dispersar os filhos seus por entre os povos, *
espalhando-os através da terra inteira.

27 Renderam culto a Baal, deus de Fegor, *
e comeram oblações a deuses mortos;

28
provocaram o Senhor com suas práticas, *
e uma peste entre eles se alastrou.

30 Então Finéias levantou-se e fez justiça, *
e a peste em seguida terminou;

31
justiça seja feita, pois, a ele, *
de geração em geração, por todo o sempre!

32 Junto às águas de Meriba o irritaram, *
e Moisés saiu-se mal por causa deles;

33
porque tinham irritado seu espírito *
e o levaram a falar sem refletir.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
 

Ant. O povo da Aliança somos nós:
não esqueçamos o amor do nosso Deus!
 

Ant. 3 Salvai-nos, ó Senhor e nosso Deus,
e, do meio das nações, nos congregai!
 

III

34 Não quiseram suprimir aqueles povos, *
que o Senhor tinha mandado exterminar;

= 35
misturaram-se, então, com os pagãos, *
e aprenderam seus costumes depravados.

36 Aos ídolos pagãos prestaram culto, *
que se tornaram armadilha para eles;

37
pois imolaram até mesmo os próprios filhos, *
sacrificaram suas filhas aos demônios.

38 O sangue inocente derramaram, *
o sangue de seus filhos e suas filhas,

– que aos deuses de Canaã sacrificaram, *
profanando aquele chão com tanto sangue!

39 Contaminaram-se com suas próprias obras, *
prostituíram-se em crimes incontáveis.

40
Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, *
e o Senhor abominou a sua herança.

41 E entregou-os entre as mãos dos infiéis, *
para que fossem dominados por estranhos;

42
seus inimigos se tornaram seus tiranos *
e os humilharam sob o jugo de suas mãos.

= 43 Quantas vezes o Senhor os libertou! †
Eles, porém, por malvadez o provocavam, *
e afundavam sempre mais em seu pecado.

44
Mas o Senhor tinha piedade do seu povo, *
quando ouvia o seu grito na aflição.

45 Lembrou-se então da Aliança em seu favor *
e no seu imenso amor se comoveu,

46
fazendo que encontrassem compaixão *
junto àqueles que os levaram como escravos.

47 Salvai-nos, ó Senhor, ó nosso Deus, *
e do meio das nações nos congregai,

– para ao vosso santo nome agradecer *
e para termos nossa glória em vos louvar!

= 48 Seja bendito o Senhor Deus de Israel, †
desde sempre e pelos séculos sem fim! *
Que todo o povo diga Amém, oh sim, Amém!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Salvai-nos, ó Senhor e nosso Deus,
e, do meio das nações, nos congregai!

V. Quem pratica a verdade se põe junto à luz.

R. E suas obras de filho de Deus se revelam.

 

Primeira leitura

Do Livro do Êxodo             20,1-17

 

Promulgação da Lei no Sinai

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras:

2“Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim. 4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração dos que me odeiam, 6mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão.

8Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou.

12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará.

13Não matarás.

14Não cometerás adultério.

15Não furtarás.

16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.

17Não cobiçarás a casa do teu próximo.

Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

 

Responsório             Sl 18(19),8.9b; Rm 13,8b.10b

 

R. A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma.

O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

* O mandamento do Senhor é brilhante,

para os olhos é uma luz.

V. Aquele que ama o seu próximo, tem cumprido a lei,

pois amar é cumprir plenamente a lei do Senhor.

* O mandamento.

 

Segunda leitura

Do Tratado sobre a fuga do mundo, de Santo Ambrósio, bispo

(Cap.6,36; 7,44: 8,45;9,52:CSEL32,192.198-199.204)            (Séc.IV)

 

Busquemos a Deus, único bem verdadeiro

Onde está o coração do homem está também o seu tesouro; pois Deus não costuma negar o bem aos que lhe pedem.

Porque o Senhor é bom, e é bom sobretudo para os que nele esperam, unamo-nos a ele, permaneçamos com ele de toda a nossa alma, de todo o coração e de todas as forças, para vivermos na sua luz, vermos a sua glória e gozarmos da graça da felicidade eterna. Elevemos nossos corações para esse bem, permaneçamos e vivamos unidos a ele, que está acima de tudo quanto possamos pensar ou imaginar; e concede a paz e a tranquilidade perpétuas, uma paz que ultrapassa toda a nossa compreensão e sentimento.

É esse o bem que tudo penetra; todos vivemos nele e dele dependemos; nada lhe é superior, porque é divino. Só Deus é bom e, portanto, o que é bom é divino e o que é divino é bom; por isso se diz no salmo: Vós abris a mão e todos se fartam de bens (Sl 103,28). É, com efeito, da bondade de Deus que nos vêm todos os bens, sem nenhuma mistura de mal.

Esses bens são os que a Escritura promete aos fiéis, dizendo: Comereis dos bens da terra (Is 1,19).

Nós morremos com Cristo e trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós. Portanto, já não é a nossa própria vida que vivemos, mas a vida de Cristo: vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes. Também ressuscitamos com Cristo; vivamos, pois, unidos a ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo.

Fujamos daqui. Podes fugir com o espírito, embora permaneças com o corpo; podes ficar aqui e estar ao mesmo tempo junto do Senhor, se teu coração estiver unido a ele, se teus pensamentos se fixarem nele, se percorreres seus caminhos, guiado pela fé e não pelas aparências, se te refugiares junto dele – que é nosso refúgio e nossa força, como disse Davi: Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre (Sl 70,1).

Já que Deus é o nosso refúgio, e Deus está nos céus e no mais alto dos céus, é preciso fugir daqui para as alturas onde reina a paz, onde repousaremos de nossas fadigas, onde celebraremos o banquete do grande sábado, como disse Moisés: O repouso sabático da terra será para vós ocasião de festim (Lv 25,6). Descansar em Deus e contemplar as suas delícias é, na verdade, um banquete, cheio de alegria e felicidade.

Fujamos, como os cervos, para as fontes das águas. Que a nossa alma sinta a mesma sede de Davi. Qual é esta fonte? Escuta o que ele diz: Em vós está a fonte da vida (Sl 35,10). Diga minha alma a esta fonte: Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Porque a fonte é o próprio Deus.

 

Responsório             Mt 22,37-38; cf. Dt 10,12

 

R. Amarás o Senhor, o teu Deus

de todo o teu coração, de todo o teu entendimento

e com todas as forças da alma.

* É este o maior mandamento.

V. Que pede de ti o teu Deus?

Que respeites a Deus, teu Senhor,

ele pede que o ames e o sirvas,

de todo o teu coração e com todas as forças da alma.

* É este.

 

Oração 

Ó Deus, que pelos exercícios da Quaresma já nos dais na terra participar dos bens do céu, guiai-nos de tal modo nesta vida, que possamos chegar à luz em que habitais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.