Segunda-feira da I Semana da Quaresma

 

Invitatório

 ___________________________________________________

 

Ofício das Leituras

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino  

Agora é tempo favorável,

divino dom da Providência,
para curar o mundo enfermo
com um remédio, a penitência.

 

Da salvação refulge o dia,
na luz de Cristo a fulgurar.

O coração, que o mal feriu,

a abstinência vem curar.

 

Em corpo e alma, a abstinência,

Deus, ajudai-nos a guardar.

Por tal passagem, poderemos

à páscoa eterna, enfim, chegar.

 

Todo o Universo vos adore,

Trindade Santa, Sumo Bem.

Novos por graça entoaremos

um canto novo a vós. Amém.

Salmodia

 

Ant. 1 Por vossa bondade, salvai-me, Senhor!

 

Salmo 6

 

O homem aflito pede clemência ao Senhor

Agora sinto-me angustiado. Pai, livra-me desta hora (Jo 12,27).

 

2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *

corrigi-me, mas não com furor!

=3 Piedade de mim: estou enfermo †

e curai o meu corpo doente! *

4 Minha alma está muito abatida!

 

= Até quando, Senhor, até quando.? †

5 Oh! voltai-vos a mim e poupai-me, *

e salvai-me por vossa bondade!

 

6 Porque, morto, ninguém vos recorda; *

pode alguém vos louvar no sepulcro?

 

=7 Esgotei-me de tanto gemer, †

banho o leito em meu pranto de noite, *

minha cama inundei com as lágrimas!

–8 Tenho os olhos turvados de mágoa, *

fiquei velho de tanto sofrer!

 

9 Afastai-vos de mim, malfeitores, *

porque Deus escutou meus soluços!

10 O Senhor escutou meus pedidos; *

o Senhor acolheu minha prece!

11 Apavorem-se os meus inimigos; *

com vergonha, se afastem depressa!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Por vossa bondade, salvai-me, Senhor!

 

Ant. 2 O Senhor é o refúgio do oprimido,

seu abrigo nos momentos de aflição.

 

Salmo 9 A(9)

 

Ação de graças pela vitória

De novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos

 

I

 –2 Senhor, de coração vos darei graças, *

as vossas maravilhas cantarei!

3 Em vós exultarei de alegria, *

cantarei ao vosso nome, Deus Altíssimo!

 

4 Voltaram para trás meus inimigos, *

perante a vossa face pereceram;

5 defendestes meu direito e minha causa, *

juiz justo assentado em vosso trono.

 

6 Repreendestes as nações, e os maus perdestes, *

apagastes o seu nome para sempre.

=7 O inimigo se arruinou eternamente, †

suas cidades foram todas destruídas, *

e até sua lembrança exterminastes.

 

8 Mas Deus sentou-se para sempre no seu trono, *

preparou o tribunal do julgamento;

9 julgará o mundo inteiro com justiça, *

e as nações há de julgar com equidade.

 

10 O Senhor é o refúgio do oprimido, *

seu abrigo nos momentos de aflição.

11 Quem conhece o vosso nome, em vós espera, *

porque nunca abandonais quem vos procura.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. O Senhor é o refúgio do oprimido,

seu abrigo nos momentos de aflição.

 

Ant. 3 Anunciarei vossos louvores

junto às portas de Sião.

 

II

12 Cantai hinos ao Senhor Deus de Sião, *

celebrai seus grandes feitos entre os povos!

 –13 Pois não esquece o clamor dos infelizes, *

deles se lembra e pede conta do seu sangue.

 

=14 Tende pena e compaixão de mim, Senhor! †

Vede o mal que os inimigos me fizeram! *

E das portas dos abismos retirai-me,

=15 para que eu possa anunciar vossos louvores †

junto às portas da cidade de Sião, *

e exultar por vosso auxílio e salvação!

 

16 Os maus caíram no buraco que cavaram, *

nos próprios laços foram presos os seus pés.

17 O Senhor manifestou seu julgamento: *

ficou preso o pecador em seu pecado.

 

18 Que tombem no abismo os pecadores *

e toda gente que se esquece do Senhor!

19 Mas o pobre não será sempre esquecido, *

nem é vã a esperança dos humildes.

 

20 Senhor, erguei-vos, não se ufanem esses homens! *

Perante vós sejam julgados os soberbos!

21 Lançai, Senhor, em cima deles o terror, *

e saibam todos que não passam de mortais!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Anunciarei vossos louvores

junto às portas de Sião.

 

V. Convertei-vos e crede no Evangelho.

R. Pois o reino de Deus está chegando.

 

Primeira leitura

Do Livro do Êxodo             6,2-13

 

Novo relato da vocação de Moisés

Naqueles dias, 2o Senhor falou a Moisés, dizendo: “Eu sou o Senhor. 3Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó, como Deus Poderoso; mas não lhes dei a conhecer o meu nome ‘o Senhor’. 4Estabeleci aliança com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra onde levaram uma vida errante e na qual habitaram como estrangeiros. 5Eu ouvi o gemido dos filhos de Israel, porque os egípcios os oprimiram, e lembrei-me da minha aliança. 6Portanto, dize aos filhos de Israel: “Eu sou o Senhor, que vos libertarei do jugo dos egípcios, vos livrarei da escravidão, e vos resgatarei com braço estendido e grandes castigos. 7Eu vos adotarei como meu povo e serei o vosso Deus, e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos liberta do jugo dos egípcios. 8Eu vos introduzirei na terra que jurei, com mão levantada, dar a Abraão, a Isaac e a Jacó, e vo-la darei em possessão, eu, o Senhor”.

9Moisés transmitiu tudo isto aos filhos de Israel, que não lhe deram ouvidos, por causa da angústia do seu espírito e do seu trabalho duríssimo. 10O Senhor falou, então, a Moisés, dizendo: 11“Vai dizer ao Faraó, rei do Egito, que deixe sair de sua terra os filhos de Israel”. 12Moisés protestou diante do Senhor: “Se os filhos de Israel não me ouvem, como me ouvirá o Faraó, sobretudo a mim, que tenho dificuldade de falar?”

13E o Senhor falou a Moisés e a Aarão, e deu-lhes uma ordem relativa aos filhos de Israel e ao Faraó, rei do Egito, para que fizessem sair os filhos de Israel da terra do Egito.

 

Responsório             1Pd 2,9a.10a; Ex 6,7a.6

 

R. Sois a raça escolhida, sacerdócio régio,

nação santa e povo conquistado por Deus;

vós, outrora não-povo, sois agora, deveras,

o povo de Deus.

* Eu hei de tomar-vos para serdes meu povo

e serei vosso Deus.

V. Sou eu o Senhor: Com braço estendido

vou tirar-vos do jugo opressor dos egípcios. * Eu hei.

 

Segunda leitura

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo

(Oratio 14, De pauperum amore, 23-24:PG35 889-890)             (Séc.IV)

 

Manifestemos uns para com os outros a bondade do Senhor

Considera de onde te vem a existência, a respiração, a inteligência, a sabedoria, e, acima de tudo, o conhecimento de Deus, a esperança do reino dos céus e a contemplação da glória que, no tempo presente, é ainda imperfeita como num espelho e em enigma, mas que um dia haverá de ser mais plena e mais pura. Considera de onde te vem a graça de seres filho de Deus, herdeiro com Cristo e, falando com mais ousadia, de teres também sido elevado à condição divina. De onde e de quem vem tudo isso?

Ou ainda, – se quisermos falar de coisas menos importantes e que podemos ver com os nossos olhos – quem te concedeu a felicidade de contemplar a beleza do céu, o curso do sol, a órbita da lua, a multidão dos astros e aquela harmonia e ordem que se manifestam em tudo isso como uma lira afinada?

Quem te deu as chuvas, as lavouras, os alimentos, as artes, a morada, as leis, a sociedade, a vida tranquila e civilizada, a amizade e a alegria da vida familiar?

De onde te vem poderes dispor dos animais, os domésticos para teu serviço e os outros para teu alimento?

Quem te constituiu senhor e rei de todas as coisas que há na face da terra?

E, porque não é possível enumerar uma a uma todas as coisas, pergunto finalmente: quem deu ao homem tudo aquilo que o torna superior a todos os outros seres vivos?

Porventura não foi Deus? Pois bem, agora, o que ele te pede em compensação por tudo, e acima de tudo, não é o teu amor para com ele e para com o próximo? Sendo tantos e tão grandes os dons que recebemos ou esperamos dele, não nos envergonharemos de não lhe oferecer nem mesmo esta única retribuição que pede, isto é, o amor? E se ele, embora sendo Deus e Senhor, não se envergonha de ser chamado nosso Pai, poderíamos nós fechar o coração aos nossos irmãos?

De modo algum, meus irmãos e amigos, de modo algum sejamos maus administradores dos bens que nos foram concedidos pela graça divina, a fim de não ouvirmos a repreensão de Pedro: “Envergonhai-vos, vós que vos apoderais do que não é vosso; imitai a justiça de Deus e assim ninguém será pobre”.

Não nos preocupemos em acumular e conservar riquezas, enquanto outros padecem necessidade, para não merecermos aquelas duras e ameaçadoras palavras do profeta Amós: Tomai cuidado, vós que andais dizendo: “Quando passará o mês para vendermos; e o sábado, para abrirmos nossos celeiros?” (cf. Am 8,5).

Imitemos aquela excelsa e primeira lei de Deus, que faz chover sobre os justos e os pecadores e faz o sol igualmente levantar-se para todos; que oferece aos animais que vivem na terra a extensão dos campos, as fontes, os rios e as florestas; que dá às aves a amplidão dos céus, e aos animais aquáticos, a vastidão das águas; que proporciona a todos, liberalmente, os meios necessários para a sua subsistência, sem restrições, sem condições, sem fronteiras; que põe tudo em comum, à disposição de todos eles, com abundância e generosidade, de modo que nada falte a ninguém. Assim procede Deus para com as suas criaturas, a fim de conceder a cada um os bens de que necessita segundo a sua natureza e dignidade, e manifestar a todos a riqueza da sua bondade.

 

Responsório             Cf. Lc 6,35; Mt 5,45; Lc 6,36

 

R. Amai os vossos inimigos, fazei o bem

e emprestai sem esperar a recompensa,

a fim de serdes filhos do vosso Pai celeste.

* Ele faz seu sol nascer sobre os maus e sobre os bons

e igualmente faz chover sobre os justos e os injustos.

V. Sede misericordiosos, como o vosso Pai celeste.

* Ele faz.

 

Oração

Convertei-nos, ó Deus, nosso salvador, e, para que a celebração da Quaresma nos seja útil, iluminai-nos com a doutrina celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 

 

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.